Duas palavras definem O Despertar da Primavera
artisticamente: Obra prima. Cada um tem pra si seu próprio conceito de arte, por isso é possível ouvir definições diferentes vindas da boca de diferentes pessoas. Para mim, sinceridade e emoção são dois fatores essenciais em qualquer obra, a técnica pouco importa, desde que seja de coração.E é aí que está a importância do Despertar. A sinceridade pode ser sentida no texto, nas músicas, nos próprios atores e em cada pequeno detalhe do espetáculo. O Despertar da Primavera não é nem de longe uma super produção, nem tem cenários e figurinos caros e engenhosos. A história se passa na Alemanha de 1891, o que fica explícito no texto e nos figurinos, contrastando com as cenas musicais com um certo quê de rocker que dão um ar contemporâneo a peça. Porém tais fatores não colocam o espectador no passado e nem no presente, mas num tempo único.
Não é muito difícil se identificar com o que se vê ali no palco. É uma peça que se comunica muito diretamente com o público, e atire a primeira pedra quem assistiu o Despertar e não ficou pensando na semelhança e realidade da peça com a própria vida. Quem nunca se sentiu reprimido por motivos banais? Quem nunca reprimiu alguém por motivos banais? Quem nunca questionou tabus e moralidade? Cada sgundo do espetáculo é uma profunda imersão a si próprio e por isso emociona. E vicia. Vicia tanto que a canção "Meu Vício" chega a ser irônica. Há quem já tenha assistido ao espetáculo e pretende voltar para uma segunda vez. Há quem já tenha visto mais de uma vez. Há quem já tenha visto vinte vezes.

Minha experiênica pessoal com o Despertar não é muito diferente do que a de muitos. Assisti a peça em meados de abril, no Teatro Sérgio Cardoso em São Paulo. Assim como num encontro as cegas, fui ao teatro naquele dia sem idéia alguma do que se tratava a peça e minhas expectativas não eram lá grandes coisas. Este foi o motivo do grande impacto que o Despertar causou em mim. Após o fechamento do primeiro ato, durante o intervalo, eu estava em choque e me lembro uma pessoa (que já estava no seu 15º Despertar, se não me engano) me alertar "Espere só pelo segundo ato!". Voltamos para a sala do teatro e eis então o tal segundo ato. Moritz Stiefel me arrancava lágrimas, sofria junto com Melchior Gabor em Velhos Conhecidos, vibrava com Se Fodeu e, quando tudo havia terminado, aplaudi com entusiasmo a todos os 21 atores pensando "Aplausos são pouco para o que eu acabei de presenciar!". Desde então ouço a trilha quase todos os dias e sempre que posso, indico o Despertar para alguém. Levei todos os meus amigos, e todos, sem exceções ficaram encantados com a peça. Alguns ainda estão se programando para despertar pela primeira vez agora, no Teatro Frei Caneca e já estão empolgados, devido a propaganda que acabei fazendo nesse meio tempo.
O Despertar da Primavera fica em cartaz no Teatro Frei Caneca até o dia 15 de agosto e deve ser visto. Por adolescentes, adultos, idosos, não importa a faixa etária. Aos mais jovens, para sentirem sua vida sendo representada no palco. Aos mais velhos, para que relembrem suas primaveras que já não voltam mais.
E que despertem as primaveras!
Denise, concordo com tudo que você disse =)
ResponderExcluirEu espero poder despertar mais vezes também =)
Vou te seguir!
Beijos!
www.os1001filmes.blogspot.com